17 fevereiro 2010

Famalicenses em grande no regresso ao passado de Peres

A 2ª edição do Rali de Barcelos fica marcada pelo regresso de Fernando Peres ao Ford Escort e às vitórias, numa espécie de "deja vu" dos primórdios da década de 90. A secundar Peres, duas equipas famalicenses completaram o pódio, em mais um excelente resultado para o nosso concelho. Como era de esperar, milhares de pessoas marcaram presença ao longo de todas as especiais barcelenses.

Nem mesmo o muito frio que se sentiu durante o dia, fez com que os adeptos dos ralis arredassem pé de Barcelos, naquele que foi um rali muito extenso - durou mais de 12 horas e terminou já noite dentro - e muito animado.

Fernando Peres foi um justo vencedor, liderando de início a fim, mas sempre bastante pressionado. Só na parte final da prova, o piloto do Ford Escort descansou no comando, pois Ivo Nogueira abandonou em virtude de um princípio de incêndio no Citroën Saxo Kit Car. Peres mostrou um andamento um furo acima dos adversários, colocando toda a sua experiência e o facto de ter o melhor carro presente para conquistar mais uma vitória na sua carreira. Resta agora saber o que fará o piloto, pois já afirmou que apenas pretende estar no Nacional de Ralis a "meio gás".

De regresso ao Open de Ralis após falhar a primeira prova, João Ruivo e Alberto Silva souberam estar no sítio certo, à hora certa. Sem correr grandes riscos e apostado em fazer quilómetros para se adaptar a novas evoluções no Fiat Stilo, o piloto famalicense rodou sempre perto da frente, mas somente chegou ao 2º lugar... após o final da prova, com a desclassificação de Ricardo Costa a permitir a Ruivo subir uma posição em relação ao que conquistara na estrada. Apesar do excelente resultado, a dupla famalicense deixou no ar que não continuará no Open de Ralis e rumará ao Nacional de Ralis com o Fiat Stilo Multijet.

Vindo de uma série de resultados desastrosos e outras tantas saídas de estrada, Nuno Pina e Sérgio Rocha voltaram às grandes exibições e cumpriram o seu principal objectivo, a vitória no Desafio Modelstand. Porém a tarefa da equipa de Famalicão não foi nada fácil, com uma pressão intensa de Daniel Ribeiro ao longo de todo o rali e depois de Pina ter visto o Peugeot 206 se desligar em plena especial. Assim, a parte da tarde foi feita ao ataquem, com tudo a decidir-se na derradeira super especial por apenas 0,8 segundos favoráveis a Nuno Pina.

Um pouco mais atrás outra luta quase ao milésimo foi travada pela dupla Frederico Ferreira/Octávio Araújo e Paulo Azevedo, ambos em busca da vitória nos Clássicos. Com ambos a partirem com números elevados, foram várias as trocas de posição ao longo de todo o rali, os famalicenses foram impotentes para suplantar Azevedo, que se superiorizou por escassos 1,1 segundos. De referir ainda, que a diferença de Frederico Ferreira para o 5º lugar de Pedro Ortigão foi também ela bastante curta, o que espelha que nem só pela vitória se discutem segundos.

Destaque igualmente para Ricardo Costa e Nuno Almeida que foram 2ºs na estrada, contudo as verificações finais viriam a detectar irregularidades no turbo do Mitsubishi Lancer. A dupla da Macominho Sport foi autora de um grande prova, pressionando bastante a liderança de Fernando Peres, somando 3 vitórias em especiais, pelo que é bastante amargo este desfecho. Em termos de campeonato, Ricardo Costa soma, em todo o caso, duas pontuações a zero. Também outra nota de destaque para a "dupla da casa", André Pimenta/Marcos Gonçalves, que foram sempre bastante rápidos e perderam um lugar no pódio na penúltima especial, após uma saída de estrada que resultou num furo e em danos na direcção do Mitsubishi Lancer, provocando ainda uma penalização que os relegou muito na tabela classificativa. Também o vencedor da primeira prova, Manuel Coutinho, cedo terminou a prova, em virtude de um despiste.

No que toca a mais famalicenses em prova, é preciso descer até ao 36º classificado, com Ricardo Santos Costa e Manuel Macedo a ocuparem essa posição. A dupla de Famalicão voltou à competição aos comandos do habitual BMW 320is e sem grandes possibilidades em termos de lugares na geral, optou pelo espectáculo que um carro de tracção traseira sempre propociona.

Um pouco mais atrás terminou Luís Cambão e o famalicense Duarte Costa, na prova de estreia aos comandos do Citroën Saxo Kit Car. O 42º lugar traduz a adaptação à nova montada e à falta de ritmo do piloto no que diz respeito a ralis, esperando-se novas aparições pois carros destes são sempre bemvindos às nossas estradas.

A acompanhar João Pimenta, um barcelense bastante bem-disposto, José Janela terminou no 46º lugar, numa prova em que alinharam num Skoda Fabia TDI. Sem grandes contratempos e sem arriscar durante toda a prova, a dupla logrou chegar ao fim, numa prova em que o resultado final pouco ou nada interessava, até porque o piloto efectuou somente o seu segundo rali, depois da estreia no ano transacto.

Menos felizes estiveram Paulo Marques, navegador de Luís Bastos, que terminou a prova logo na PEC 2, devido a um despiste que deixou o BMW M3 algo mal tratado. Mariana Neves de Carvalho/Filipe Martins foram vítimas de problemas eléctricos no Peugeot 206 GTI na fase inicial do rali, ao passo que Jorge Costa/Rui Raimundo também poucos quilómetros fizeram no Datsun 1200, devido a problemas mecânicos. De regresso aos ralis, após presenças esporádicas no ano passado, Paulo Torres não foi feliz em Barcelos, abandonando na PEC 6, após uma prova positiva no Ford Escort RS.

Justino Reis, que acompanhava o jovem Luís Rego num Mitsubishi Lancer, também abandonou mas já perto do final, depois de uma excelente prova. Também Guilherme Pereira que navegou o regresado Nuno Coelho, não teve uma prova fácil, com vários problemas a afectar o Peugeot 206 GTI até darem por terminada a sua prestação antes da ronda da tarde. A estrearem o Renault Twingo em ralis, Armando Pereira/Miguel Costa abandonaram logo na primeira especial, denotando que a fiabilidade ainda não é o ponto forte do pequeno carro francês. Um problema de motor foi a causa que colocou Jorge Carvalho, co-piloto de Diogo Gago, fora de prova e assim impossibilitado de lutar por um lugar na frente do Troféu Fastbravo.

Já referida a vitória de Nuno Pina no Desafio Modelstand, falta destacar ainda o triunfo de Orlando Duarte no Troféu Fastbravo e de Luís Delgado no que toca ao Troféu Fiat(e) em Nós e Acelera.

Classificação Final
1º Fernando Peres/José P. Silva (Ford Escort RS Cosworth) -- 34m10,6s
João Ruivo/Alberto Silva (Fiat Stilo Multijet), a 1m20,8s
Nuno Pina/Sérgio Rocha (Peugeot 206 GTI), a 1m33,4s
4º Daniel Ribeiro/Hugo Magalhães (Peugeot 206 GTI), a 1m34,2s
5º Pedro Ortigão/Mário Castro (Peugeot 206 GTI), a 2m22,9s
6º Paulo Azevedo/Luís Cavaleiro (Ford Escort RS), a 2m24,7s
Frederico Ferreira/Octávio Araújo (Ford Escort RS), a 2m25,8s
8º Luís Mota/José Ramos (Mitsubishi Lancer IV), a 2m31,0s
9º Renato Pita/Marco Macedo (Mitsubishi Lancer VI), a 2m46,1s
10º Sérgio Arteiro/Estefânio Pinto (Peugeot 206 GTI), a 2m47,8s
(...)
36º Ricardo S. Costa/Manuel Macedo (BMW 320is), a 5m58,8s
(...)
42º Luís Cambão/Duarte Costa (Citroën Saxo Kit Car), a 6m55,8s
(...)
46º João Pimenta/José Janela (Skoda Fabia TDI), a 7m43,6s

Classificação Open de Ralis
1º Daniel Ribeiro (35 pts)
2º Pedro Ortigão (29 pts)
3º Sérgio Arteiro (23 pts)
4º Manuel Coutinho (22 pts)
5º Fernando Peres (22 pts)
(...)
João Ruivo (20 pts)
(...)
10º Nuno Pina (17 pts)
(...)
12º Frederico Ferreira (13 pts)

Segue-se, dentro de sensivelmente um mês, a terceira prova do Open de Ralis, o Rali Rota do Medronho, disputado em Proença-a-Nova e Oleiros.

Fotos: Tiago Costa (Direita3), M. Bessa Carvalho (Motores Magazine), Sportmotores e Ralis.Online

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